A Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) deixou de ser uma praga secundária para se tornar o maior pesadelo do milho safrinha em 2026. O problema não é o inseto em si, mas o que ele carrega: o complexo de Enfezamentos (Pálido e Vermelho) e o Vírus da Risca.

Se você ignorar o alerta inicial, a perda de produtividade pode ultrapassar 70%. Veja como dominar essa praga do diagnóstico à solução definitiva.


O ALERTA: Identifique antes que seja tarde

O maior erro do produtor é esperar ver o milho “avermelhado” para agir. Quando o sintoma aparece, a planta já está condenada.

  • O Vetor: A cigarrinha é um inseto pequeno (8 a 10 mm), cor palha, que se aloja preferencialmente no cartucho do milho.
  • A Janela Crítica: O período de V1 a V4 (emergência até as primeiras folhas) é o momento de vulnerabilidade máxima. Uma única picada de um inseto infectado nesta fase destrói o potencial produtivo da planta.
  • O Sintoma Tardio: Encurtamento de internódios, espigas pequenas (ou ausentes) e secamento precoce.

A SOLUÇÃO: Manejo Integrado

Para vencer a cigarrinha, você precisa de uma estratégia de guerra combinada. O controle puramente químico já não basta.

1. Elimine o “Milho Guacho” (Tiguera)

O milho que nasce espontaneamente na entressafra serve de “ponte verde” para a cigarrinha e para os vírus. Elimine cada pé de tiguera da sua propriedade e das margens de estradas. Sem comida e sem abrigo, a população cai drasticamente.

2. Escolha Híbridos Tolerantes

Não plante apenas por potencial de saca; plante por genética de resistência. Em 2026, os híbridos com alta tolerância aos enfezamentos são a sua primeira linha de defesa. Eles não impedem a picada, mas convivem melhor com a doença.

3. Tratamento de Sementes (TS) Industrial

Proteja a planta desde o dia zero. Utilize inseticidas sistêmicos (Neonicotinoides) via tratamento de sementes. Isso garante que, nas primeiras semanas, a planta tenha uma “blindagem” interna contra o inseto.

4. Ofensiva Biológica (O Grande Salto)

Combine o químico com o biológico. O fungo Beauveria bassiana é a arma mais eficaz para o controle de longo prazo.

  • Ação: O fungo adere ao corpo da cigarrinha, penetra na cutícula e a mata em poucos dias.
  • Vantagem: Diferente do químico, o biológico permanece vivo no ambiente, criando um efeito residual que ajuda a baixar a pressão populacional.

5. Sincronismo de Plantio

Evite janelas de plantio muito longas na mesma região. Plantios escalonados criam um “banquete contínuo” para a cigarrinha, que migra das lavouras mais velhas para as mais novas (efeito escada).


📊 Plano de Ação Rápida

MomentoAção PrioritáriaObjetivo
Pré-PlantioDessecação total + Eliminação de TigueraQuebrar o ciclo da praga.
V1 a V4Monitoramento diário + Químico + BiológicoProteger o estágio mais crítico.
V5 a V8Manutenção com BiológicosReduzir a população remanescente.
Pós-ColheitaGestão de perdas na colhedoraEvitar o nascimento de milho guacho.

Direto ao ponto: A cigarrinha não se controla apenas “batendo veneno”. O sucesso depende de limpeza de área, genética certa e reforço biológico.

Agroceres Binova

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